4 Portuguesices às quais já não estava habituada.

Eu só vivi 5 anos fora de Portugal. Não é muito, eu sei, mas é o suficiente para me desabituar de algumas coisas muito típicas deste “nosso cantinho à beira-mar plantado”.

Nenhum país é perfeito, muito menos as gentes que o habitam, mas o país que eu conheço melhor é o meu e bem sei ver que há muita coisa que, assim que acontece, eu reviro os olhos (ou esfrego as mãos) e digo: Bem-vinda a Portugal, Andreia.

Nem tudo é mau, atenção. Algumas coisas são más, outras engraçadas, outras só irritantes.

A fartura de comida: Para não começarem já a pensar que vim escrever um rant massivo e que já me considero estrangeira, vou iniciar a lista com uma coisa boa à qual já não estava habituada. Os pequenos-almoços nas pastelarias fazem com que não tenha fome até ás 16h porque as torradas têm 4 andares, os galões são enormes e ainda levas uma miniatura de pastel de nata (cortesia da casa) só para não dizeres que vais daqui!
As doses de comida nos restaurantes vêm em travessas, com dois acompanhamentos, salada e proteína. Bué comida para quem já encheu a pança com o pão, o queijo e as azeitonas das entradas. Vida difícil, esta.

Competição do azar: Uma coisa muito portuguesa é fazer small talk nas filas dos transportes, dos supermercados, na sala de espera do centro de saúde…enfim, onde há um grupo de pessoas paradas, há conversa de circunstância. Agora que ando acompanhada do César, é mais fácil tornar-me parte destes grupos de tertúlias e o que começa com:

– Oh que menino tão lindo! Oláaaa!

Passa para:

-Também tenho um netinho como tu, mas sofro das pernas e não posso ficar com ele. É uma grande tristeza.

De repente, outro interveniente:

– Bem sei como é minha senhora, eu também tenho problemas da coluna e tenho o meu marido acamado, por isso, não posso ficar com os meus netinhos.

Terceiro interveniente:

– Olhe que também só vi os meus agora pelo Natal, que também tenho problemas nos joelhos e não posso sair muito. É uma vida desgraçada que uma pessoa leva.

Volta o primeiro interveniente:

– Pois é, estes problemas das pernas é de andar no campo a trabalhar ao sol e à chuva, menina. Isto a vida era muito difícil antigamente.

De repente, eu já não tenho nada a ver com a conversa e quase que sinto que devo pedir desculpa às senhoras por estarem a passar tão mal!

A piadola fácil: Eu acho que, no geral, o povo português é tímido e pouco descontraído e isso leva a que te atirem aquela piadola, normalmente seca, na tentativa de quebrar o gelo quando interagem com alguém que não conhecem.

Exemplo: Entro no autocarro e pergunto ao motorista se para em sítio X

Resposta: Se mandar parar eu paro onde a menina mandar.

Dou aquele sorriso amarelo e vou-me sentar.

Outro exemplo:

…Opah, eu disse que ele podia transformar aquilo, mas ele disse-me que não era nenhum transformista!

*Gargalhada geral*

Mais um: (esta é antiga)

Trabalho numa pastelaria e estou a fazer a conta de uma senhora a quem faltam 3 cêntimos para lhe dar o troco certo.

Ora, são 5.33€, tem os 3 para lhe dar uma nota de 10€? (Estou a inventar a conta, I suck a matemática, ok)

Resposta da senhora:

Oh menina, onde é que já vão os 3!!! Hahahah

Sorrio e dou-lhe uma mão cheia de moedas para a mão enquanto ela continua a rir desalmadamente.

X tem direitos e eu não concordo com isso: Já experimentaram estar numa fila na segurança social e ter o cérebro a rebentar de tanta barbaridade que ouvem? Ya, é lixado. Podemos lá estar por 1001 motivos mas a culpa da fome em África é dos ciganos que ganham 1000€ de abono por cada filho (!!!!), o buraco na camada de ozono é culpa desta pretalhada que vive dos subsídios -milionários, por sinal – (sem ofensa menina…você nem é preta!) o aquecimento global é culpa destas miúdas de hoje em dia que são umas p*tas que têm 3 filhos de cada pai antes dos vinte e vêm aqui para as filas tirar-nos o lugar e o dinheiro…

Isto vindo de pessoas que, provavelmente, também vêm reclamar subsídios, abonos e prestações várias às quais têm direito também! Têm todos, mediante certas condições (e ser cigano não é uma condição, desculpem), ok? Passam a vida a queixar-se do estado que não dá nada a ninguém e que rouba a meio mundo, e acham que dão aos outros só porque sim? Não faz sentido.

(Este tema é super polémico, já sei, mas eu dou o corpo às balas)

Com o tempo surgirão mais, de certeza, mas deixaremos para uma segunda parte, se necessário.

A*

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Adeus Espanha, Olá Portugal!

Depois de muito tempo a dizer que dificilmente voltaria para Portugal, eis que aparece uma oportunidade para me fazer ver que, independentemente do que pense, o “nunca” e o “sempre” são para evitar. Ainda assim, a minha convicção anterior é tão grande como a atual de que, neste momento, este é o caminho a seguir.

Dizem que o coração muda depois da maternidade, assim como a perspetiva sob a qual protejamos a nossa vida. Sim, é verdade. Além disso, este ano mostrou-me, em primeira mão, que a efemeridade da vida rodeia-nos mesmo quando não a vemos. De repente, o que era já não é e algo diferente terá, obrigatoriamente, de passar a ser. O meu filho tem a sorte de ter avós, bisavós e tios de ambos os lados, para não falar no número generoso de tios-avós e primos nos mais variados graus, pelo que, quero dar-lhe a possibilidade de crescer com a família e, como eu tive, a felicidade de ter muitos sítios onde passar fins-de-semana e divertir-se.

Como forma de amadurecimento e reconhecimento de que, o que pensava há 2 anos atrás, não é estanque nem define o futuro, cheguei (chegámos, que eu não vou sozinha, lol) à conclusão que o meu lugar é junto dos meus, para o bem e para o mal.

 

Sentimentalismos à parte, isto dá uma trabalheira do caraças e já comecei a arregaçar as mangas! Quem me segue no Instagram, já deve ter visto que ando com ideias de fazer um massive declutter à casa e, lógico, a mudança é um pretexto perfeito para embarcar nesta aventura que vai ser separar o que vai, o que fica e o que vai fora! 

Não está fácil, mas vai sair!

 

A*

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