Maternidade = Sororidade?

Maternidade = Sororidade?

Sabem quando encontram um grupo de pessoas e pensam que, nunca na vida, vão conseguir integrar-se nesse grupo?

Isto era eu quando via aglomerados de mães.

Confesso que tinha algum preconceito e, mesmo que um dia me tornasse mãe, não ia querer fazer parte daquele grupo de mulheres que tinha perdido o nome próprio e a vida que tinha antes porque, de repente, a vida delas tinha ganho sentido com a maternidade.

Verdade seja dita, eu já não penso desta forma, contudo, continuo sem me identificar com a típica imagem da mãe que vemos por aí.

O que eu não esperava é que este grupo que eu julgava tão erradamente, fosse tão vasto e diverso. Muito mais do que eu alguma vez imaginei!

Com essa diversidade vi também sororidade! Sim, sororidade, que apesar das discórdias normais entre seres humanos, ainda se vê quando o assunto é maternidade.

A verdade é que fico muito feliz por ver solidariedade e companheirismo cada vez que uma mãe procura ajuda e as outras passam lá para dar, nem que seja, só um abraço de força e ânimo!

Porque já estou farta de perpetuarmos a ideia de que:

 

“a mulher é o pior bicho”

“não somos nada boas umas para as outras”

“não gosto de trabalhar com mulheres porque são do pior”

“as mulheres são umas invejosas”

 

Como disse acima, há discórdias, sim. Há sempre alguém a julgar, ou da mandar um bitaite desagradável mas isso é porque há pessoas que só estão bem a espalhar a sua amargura, independentemente de serem mulheres ou não!

 

Moral da história: Identifiques-te ou não com a maior parte das outras mães o certo é que, em determinada altura, vais recorrer às tuas semelhantes em busca de ajuda, inspiração, ou apenas para desabafar. Vais perceber que, muitas vezes, apesar das diferenças colossais entre todas, vão existir muitos pontos em que a maternidade vos unirá de tal maneira que saberás que podes sempre encontrar ali, junta das tuas irmãs, aquilo que precisas.

 

Certamente, haverá quem não esteja de acordo comigo e tenha outras experiências mas, da minha parte, tudo faço para que possa alimentar estar sororidade e respeito entre mulheres, que tanta falta nos faz.  Esquecer um pouco as diferenças e respeitar a individualidade de cada uma, como eu gosto que respeitem a mim. Se não respeitarem, retiro-me da discussão/situação.

Não vale a pena começarmos a enxovalhar umas às outras e criar guerras quem em nada nos vão beneficiar!

Sejamos mais companheiras, ainda que seja apenas pela única coisa que nos une:

 

A possibilidade (não necessariamente biológica) de ser mãe.

 

A*

 

 

Mãe & Bebé | 4 Pontos a reter nos momentos difíceis.

Mãe & Bebé | 4 Pontos a reter nos momentos difíceis.

Depois de tantas mulheres fazerem referência e relataram as suas histórias mostrando a maternidade real, não podia deixar de abordar este assunto.

O meu filho só tem 9 meses, por isso, a minha experiência vai apenas desde puerpério  até adpatação a este novo papel de mãe.

Considero ter tido um puerpério tranquilo, contudo, isso não significa que todos os dias destes últimos 9 meses tenham sido só rosas. Não.

Mesmo em situações onde não somos levadas ao extremo todos os dias, vai sempre haver alturas em que vamos querer fechar-nos na casa de banho e chorar para todo o sempre. Porque não há preparação que chegue para a tão exigente e constante demanda do ser humano como mãe. Ainda para mais quando a cria comunica com choro, impaciência e imprevisibilidade.

Tudo isto é normal e, excepto quando estamos perante um caso de depressão pós-parto, há pequenas coisas que podemos reter, para ajudar a enfrentar estes momentos.

Eu sei que muitas mulheres se sentem completamente sós e abandonadas nestes momentos, independentemente de estarem rodeadas de pessoas que as amam e apoiam. Não é fácil antever aquilo de que aquela mãe descabelada e chorosa precisa porque, mesmo querendo ficar com o bebé uns momentos para a mãe descansar, isso nem sempre significa que esta é a melhor ajuda. Por vezes, nem nós, a mães, sabemos como pedir ajuda porque além do cansaço físico, temos uma culpa infundada que nos manda sermos nós a tratar da criança (custe o que custar) e um cansaço mental de tal ordem que já só queremos fazer pausa no tempo e não ter de decidir absolutamente nada. Além disso, o meu principal objetivo ao escrever este artigo, é tentar ser útil àquelas mães que, realmente, estão sozinhas.

Aquelas mães que não têm os avós do bebé por perto, ou que o outro cuidador da criança passe o dia todo, ou mesmo temporadas, fora de casa, ou então, e principalmente, aquelas mães que são abandonadas.

 

Pelas famílias, pelos progenitores do bebé, pela sociedade.

 

Estas mulheres precisam de alento, de ajuda e, desta forma, ainda que sirva de pouco, quero deixar o meu contributo.

Por isso, quando estiverem à beira de uma crise, pensem:

 

  • Vai passar!  – Esta é a frase mais poderosa para qualquer mãe naqueles momentos em que o bebé não está a reagir bem a nenhum dos nossos esforços. É um mantra que devemos repetir as vezes que forem necessárias até entendermos o que realmente quer dizer. Nada nesta vida é eterno e o choro compulsivo vai, sim, passar. A angústia de não poder ir sequer à casa de banho, vai passar. O nó na garganta que acompanha a vontade de fugir a correr, vai passar. Tudo isto vai passar (e rápido)!

 

  • 100% Mãe – Um dos meus maiores medos era perder-me no meio do meu novo título (como já referi aqui inúmeras vezes), deixar de saber quem era, o que fazia e do que gostava porque agora era a mãe do César. A verdade é que estas coisas não se misturam, ou seja, tu não vais deixar de ser quem és porque te tornaste mãe mas, a partir do momento em que aceitamos que vamos ser mães, às vezes, é preciso assumir o papel a 100%. Há momentos em que temos de por de lado aquela vontade de ir deitar no sofá a ler, ou ir ouvir música enquanto arrumamos a casa, ou gastar 2 horas a arranjar o cabelo e a maquilhagem para sair, porque nesses momentos temos mesmo de ser só mães. Para facilitar a nossa própria vida. São fases, momentos, não é a vida toda (lembrem-se, vai passar). É como quando começamos a trabalhar: De manhã apetece-me dormir mais uma hora, mas ao contrário do que fazia na faculdade, não posso deixar passar esta hora, tenho de levantar já. Nesse momento, eu tenho de ser a trabalhadora X , que entra a hora Y, não a Andreia que tem dificuldades em acordar cedo.  Pouco depois do meu filho nascer li uma coisa que mudou muito a minha forma de encarar estes momentos:

 

“Já viram uma gata parida? Ela fica lá, estirada o dia todo, o dia todo mesmo, só de vez em quando levanta e vai comer algo e tomar uma água, aí já tá de volta aos filhotes. Isto é instinto, está inscrito profundamente na nossa essência mamífera.”

Retirado daqui, este artigo é sobre a amamentação mas ajudou-me muito, também, em outros momentos mais difíceis.

 

  • Reconhece o teu próprio esforço – É incrível como sentimos que estamos a fazer tudo mal e que somos fracas, precisamente, nos momentos em que estamos a dar o máximo que alguma vez demos! Se mesmo as mulheres que têm apoio de terceiros devem reconhecer e valorizar o esforço que fazem, as que estão sós devem orgulhar-se muito, muito mesmo, de tudo aquilo que enfrentam sozinhas. Quando estiveres ao ponto de desabar, pensa na força que tens, que, apesar de não parecer, estás a fazer tudo bem e que poucas coisas serão tão desafiantes como a situação em que te encontras. Depois disto, estarás preparada para qualquer coisa, por isso, reconhece o teu esforço e alegra-te pois o pior já (quase) passou!

 

  • Ninguém merece mais o teu empenho:  Se não aguentas mais, é porque só tu consegues, de uma forma ou de outra, contornar esse momento complexo. Mesmo as mães que têm outras pessoas que podem ajudar, provavelmente, vão acabar por ser elas a comandar a situação, porque são elas de quem o bebé precisa. E não há ser que mereça mais a tua dedicação que esse bebé que só te quer a ti! Se pensarmos na quantidade de vezes que nos esforçámos, sacrificámos, até anulámos por pessoas, entidade e situações que não mereceram, de todo, o nosso empenho, rapidamente chegamos à conclusão que não há nervos mais bem gastos que estes que sentimos enquanto tentamos acalmar um bebé inconsolável.

 

Eu não sou  life coach, nem expert na matéria mas li muitos testemunhos de outras mães de forma a poder ajudar-me a mim mesma. Precisei de interiorizar estas coisas para encarar a maternidade da melhor forma possível e não deixar que os momentos difíceis sugassem a minha vida. Continuo a fazê-lo e, apesar de não ser fácil, tento sempre centrar-me 4 pontos para não pirar!

 

E vocês? Alguma dica?

Espero ter podido ajudar ❤

 

A*