“Fechar torneiras”, ter ou não ter filhos e o julgamento constante!

No âmbito daquelas consultas médicas de aptidão para o emprego, saiu-me mais um duque que usou uma linda expressão para se referir à possibilidade de eu não ter mais filhos: fechar a torneira.

Sim, um médico que eu não conheço de lado nenhum, que saber zero sobre mim e que se acha engraçado, disse que se eu não fechasse a torneira, era melhor estar preparada para ter mais estrias, porque as que tenho neste momento “não são problemáticas”.

O combo de barbaridades foi tão grande que fiquei tipo boi a olhar para o palácio, sem nada para lhe responder.

Tenho experiência com esta estirpe de médicos que, por alguma razão que desconheço, aproveita este tipo de consultas para insultar as pessoas que recebem. Não sei, deve vir lá uma nota nos registos das consultas de medicina do trabalho a dizer:

Aproveitem e descarreguem as vossas frustrações nestes tipos! Sabe mesmo bem, por isso, sejam o mais imbecis possível.

Mas quero antes focar-me no julgamento, sem conhecimento de causa, e de como as pessoas preferem criticar quer faças A ou B.

Fala-se sobre o facto de os jovens não terem filhos. A natalidade é baixa e os millenials não estão para ter filhos.

“Hoje em dias não querem ter filhos! Só querem é noitadas e viver na casa dos pais até aos 40”

“Isto já não há mulheres como antigamente, elas são umas atadas hoje em dia! Alguma vez sabiam cuidar de um bebé? Filhos? Elas nem se dão ao respeito, andam com qualquer um!

Frases comuns para descrever pessoas na casa dos 20 aos 35 anos que optam por não ter filhos, ou que, pelo menos, não consideram essa hipótese para já.

No outro lado da moeda:

“Ah, já tem filhos? Ai, a minha filha quer estabelecer a carreira antes de ficar presa aos filhos. Está a estudar para ser advogada e a prioridade dela são os estudos!”

“Já vem outro a caminho? Elah, não tarda tens de fechar a loja que senão ficas toda rebentada tão nova!”

“Pois, quem anda à chuva molha-se! Devias tomar a pílula se não, daqui a pouco estás de bebé outra vez!”

…Frases comuns para descrever pessoas na casa dos 20 aos 35 anos que optam por ter filhos, principalmente se for mais que um, ou se estiver aberta à hipótese de ter mais.

Pessoal, sejam vocês médicos, familiares, ou o presidente da república: que tal deixarem as pessoas viverem a vida que elas querem sem estar sempre a dar palpites e a criticar?

Por que carga de água hão vocês de julgar as opções das outras pessoas? Porque é que acham necessário crucificar quem não quer ter filhos, mas também desconsiderar quem tem?

Mais importante ainda:

Alguém vos pediu opinião?

Bem me parecia que não!

Se os millenials querem ter 20 filhos ou 0, não é da vossa conta, por isso, poupem-nos!

 

A*

 

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UPDATE | Ainda sobre a adaptação à chegada a Portugal!

Após a mudança de volta para Portugal, o nosso objetivo foi tratar dos essenciais que nos permitissem estar no nosso espaço com todas as condições necessárias o mais depressa possível. Isto significa que a nova casa teria de estar operacional e que, antes de criarmos uma rotina diária comum aos 3, coisas como a creche do César, os passes para os transportes e/ou qualquer outro processo chato e burocrático que se traduzisse numa estadia plena na nova morada, teriam de estar na lista de prioridades!

Estas coisas, se tudo correr bem e houver possibilidade para isso, resolvem-se de forma relativamente rápida, mas nem todas são tão rápidas e ficam despachadas à primeira tentativa.

Vinda de Madrid, tive de arranjar um novo trabalho depois de ter resolvido todos os assuntos que impedir-me-iam de comparecer assídua e pontualmente a um possível posto de trabalho. Esse trabalho teria de obedecer a uma série de condições para que a vida familiar corresse de forma fluída e que me rendesse alguma coisa ao final do m€s.

Reconhecendo o meu privilégio em poder ter condições na hora de procurar um emprego, não desisti de o fazer e isso foi resultando em algumas tentativas falhadas, destabilizando a tão ansiada e necessária rotina familiar.

Desde que o César nasceu que me tornei muito mais produtiva e que, finalmente, aprendi a usar o tempo a meu favor. Procrastinar faz parte do passado e há sempre qualquer coisa que tenho ou posso fazer no meu escasso (em tempos praticamente inexistente) tempo livre. Nesse sentido, era imperativo acertar no emprego de forma a por a funcionar a máquina que é uma casa de dois adultos e uma criança!

Tenho andado a repensar e a criar novas rotinas, quer a nível individual, quer coletivo para chegar a todas as coisas que quero e devo fazer durante a semana, de maneira a não descurar nada. E parece que finalmente acertei na mosca e é desta que vamos conseguir por isto a andar, cimentando, de vez, rotinas e hábitos novos.

Tenho algumas ideias de planos semanais no que diz respeito a limpeza, refeições, compras e afazeres pessoais mas ainda vou testar a eficácia dos mesmos. Para já ainda só tenho uns esboços no COZI mas mais tarde partilharei mais algumas coisas por aqui.

E assim temos passado as últimas semanas, tentando estabilizar o barco depois desta mudança de volta ao nosso país, onde começámos praticamente do zero!

Espero que se mantenham por aí!

 

A*

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